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Fatos que contribuíram para o sucesso do vinho no mundo.



VI. BRUNELLO.

Nesta série que criamos para vocês, caros leitores(as), que mostram OS FATOS E PERSONAGENS QUE CONTRIBUÍRAM PARA O SUCESSO DO MUNDO VÍNICO, demos o destaque para vários personagens e até um país, PORTUGAL, que são importantes e merecem constar nesta série, pois sem estas contribuições não teríamos aquele vinhos maravilhoso em nossa mesa e refeição. Mas são inúmeros e não queremos falhar em nossa série de deixar de citar algum.

• Nesta matéria trazemos ao seu conhecimento um vinho que se tornou um ícone no mundo vínico, italiano, da região da Toscana, O BRUNELLO DE MONTALCINO.

Ao falarmos da região maravilhosa italiana da TOSCANA, e seus "CHIANTI", dissemos serem, estes vinhos os mais conhecidos e exportados da Itália, mas de modo algum os melhores.

O VINHO, como qualquer produto de consumo está sujeito aos caprichos da moda. Pois bem, um dos vinhos da moda, no momento é o TOSCANO. Comentado em todos os círculos especializados, revistas, leilões, confrarias, vinícolas, é o BRUNELLO DE MOTALCINO. Exclua-se naturalmente a França, pois, lá o que não é francês não pode existir. Não é descabida a história do aluno francês, que tendo de fazer uma composição sobre o elefante e não o encontrando no zoológico de Paris, concluiu:" 'l'ELEPHANT N'EXISTE PAS...", O elefante não existe.

Mas o BRUNELLO DE MONTALCINO está na moda. E não é por acaso, MAS POR MÉRITO.

MONTALCINO é uma pequena aldeia ao sul de Siena, entre Castiglione e Torrenieri, circundada pelos rios Orcia e Ombrone, e toda a região tem apenas 24mil hectares, dos quais mais da metade é coberta por florestas , pastos, terras improdutivas e oliveiras que pela lei vigente, não podem ser arrancadas. Apenas 1.000 hectare são próprios para a vinicultura e, destes, somente 300 são cultivados. A paisagem é belíssima - colinas, povoados, castelos, datando da época da República Livre de Siena.

Por que a moda? Pela divulgação dos que poucos sabiam, Antes, o bom vinho era quase um segredo de poucos conhecedores, que o tomavam regularmente. Embora o vinhedo existisse desde a metade do século passado, apenas em 31 de maio de 1966 foi o BRUNELLO reconhecido como vinho D.O.C .(Vino de Denominazione di Orige Controllata) oficialmente. Diga-se a seu favor que seus produtores, plenamente conscientes da qualidade de seu produto, nunca haviam procurado oficializá-lo e, já muito antes de 1966, vendiam-no bem e por preços muito acima de seus vinhos toscanos. Essa é, sem dúvida, uma das razões principais de sua pequena exportação.

Sua origem data da segunda metade do século passado quando o enólogo e vinhateiro FERRUCIO BIONDI-SANTI, conseguiu obter de uma cepa do tipo Sangiovese Grosso uma variedade, a Brunello, a qual ele vinificou em tinto. BIONDI-SANTI teve seguidores capazes e idôneos que conseguiram em poucas dezenas de anos um vinho excepcional e, para muitos conhecedores, O MELHOR VINHO DA ITÁLIA. Não deixa de ser ironia ser produzido na mesma Toscana o CHIANTI, de enorme exportação, porém não de tão alta qualidade.

De certa maneira, o BRUNELLO, pela origem, não deixa de ser UM CHIANTI COLLI SENESE, (CHIANTI DAS COLINAS DE SIENA), embora feito apenas da variedade BRUNELLO da cepa Sangiovese ( uva emblemática da Itália, chamada pelos romanos de Sangue de Júpiter) enquanto no Chianti, entram outras cepas, como sabemos para produzir um CHIANTI, são necessárias três uvas, 70% da Sangiovese, 20% de Canaiolo Nera e 10% de Malvasia e (ou) Trebiano, portanto não é uma uva e sim um vinho com um nome que tem três uvas italianas. Sua produção é esmeradíssima. Envelhece em toneis por 5 a 6 anos antes de ser engarrafado e permanece na garrafa por dois anos, antes de posto no mercado. Mesmo assim, não é bebido em seguida, pelo menos na Itália. O vinho tem reputação, aliás, merecida, de enorme longevidade. Kuigi Veronelli, autor do mais completo catálogo de vinhos italianos (0 BOLAFFI), dá-lhe 50 anos de vida, na garrafa. Recomenda-se decantá-lo antes de ser bebido, arejando-o bem.

Não é raro ouvirmos comparações entre BRUNELLO e Borgonha (francês), uma das regiões mais importantes na produção de vinhos franceses como o PINOT NOIR, que provocam até ressentimentos. Na realidade são meras discussões bizantinas, pois não tem sentido compararem-se produtos diferentes. Além dos mais, somente um dos BRUNELLOS é excepcional, o do referido BIONDI SANTI, e seus vinhos dificilmente chegam a sair da Itália. Alguns são encontrados na Suíça.

Tivemos o prazer de degustar um BRUNELLO na Europa, em uma de nossas viagens à maravilhosa Toscana da safra de 1968. Por uma única garrafa não se pode julgar um vinho, esta é uma máxima que todos nós, degustadores do líquido dos Deuses devemos ter sempre em mente.

Mas aquele não era superior aos encorpados e aveludados Barolos do Piemonte, em nossa modesta opinião, os melhores vinhos da Itália, que infelizmente NÃO ESTÃO NA MODA. O atual prestígio dos BRUNELLOS deve-se muito à admiração de ROBERT PARKER, o reputado crítico americano, chamado de O IMPERADOR DO VINHO, nome lhe dado com referência ao livro de Elin McCoy considerado o mais influente e controvertido crítico de vinho, que nos últimos 25 anos, tem dominado o mundo do vinho e consubstanciado o triunfo internacional do paladar americano, QUE LHES DEDICA APAIXONADA PREFERENCIA. Significativamente, PARKER não menciona BIONDI-SANTI em seus guias recentes e na excepcional safra de 90 deu-lhe uma nota, 79, qualificando-o de ácido e tânico, conforme nota de nosso enófilo- mór curitibano, LUÍZ GROFF.

Dentro da denominação BRUNELLO, como é frequente na Itália, convivem vinhos de qualidade muito desigual, de modo que devemos nos precaver contra BRUNELLOS baratos, consultando os manuais de referência.

Os grande BRUNELLOS custam, no Brasil, acima de U$D 50 A U$D 100,00.
As melhores safras foram : 1982 (a melhor de todas), 1985,1989,1990, 1993 e 1995.

Estrela de reputação planetária, BRUNELLO é um vinho poderoso, tânico, com esplendia concentração e expressivo “ bouquet” de tabaco e frutas secas.
Coloca-se no altiplano dos deuses, frequentado apenas pelas grandes estrelas de Bordeaux, Bourgogne e alguns Super-toscanos.

Parafraseamos um pensamento maravilhoso de um dos produtores de vinhos da Borgonha, Nicolas Potel, narrado no livro de Elin Mckoy, PARKER O IMPERADOR DO VINHO, dizendo sua própria visão de fazer vinho “ Temos de ter muito cuidado. As uvas são apenas uma memória, uma impressão digital cujas variações provêm do solo, do vento, dos astros. Com as velhas cepas, há uma definição mais nítida de “terroir””. Para ele, era um simples modo de pensar, “existe uma conexão entre tudo o que está acima e abaixo da terra”.

Como vimos e vemos nestas matérias que estamos trazendo para vocês, caros leitores(as)o vinho nos traz belas histórias, tradições em todos estes séculos de dedicação por seus degustadores. Citando os árabes, que chamavam os seus livros de viagens de “livros de andar e ver“ podemos entender os conhecimentos trazidos pelos séculos ao mundo dos vinhos e, implícito na expressão, o conhecimento do que se descreve, revelando tudo aos seus leitores, num verdadeiro convite a esse mundo singular e maravilhoso do sangue das uvas.

O vinho é a única coisa que é, ao mesmo tempo, agricultura e alta cultura.
Se entregue ao prazer de celebrar a vida com uma taça de vinho, VOCÊ MERECE ESTE MOMENTO.

AVOE. BRADO DE EVOCAÇÃO Á BACO POR SEUS SÚDITOS.

Osvaldo Nascimento Júniors.:
Contatos para palestras e cursos osvaldopinheiro@gmail.com



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